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📶 Redes sem Fio — IEEE 802.11

Aula 7 — Frequências, padrões Wi-Fi (a/b/g/n/ac/ax), modos de operação, segurança wireless e planejamento de cobertura

📶 Definição e Benefícios das Redes sem Fio

As redes sem fio (wireless) são sistemas de comunicação de dados extremamente flexíveis, que podem ser usados como extensão — ou alternativa — a redes locais cabeadas (LANs). Combinam conectividade de dados com mobilidade através da tecnologia de radiofrequência (RF).

Por que usar redes sem fio?

Mobilidade Usuários em movimento Quando existe a necessidade de mobilidade — usuários que trabalham longe do escritório ou se deslocam pelo ambiente
Sem cabeamento Instalação impossível Quando não é possível ou viável instalar cabos tradicionais — históricos, obras, ambientes temporários
Flexibilidade Rápida implantação Redes temporárias, eventos, emergências e situações onde o tempo de instalação é crítico

Benefícios e Aplicações

Comparadas às redes cabeadas, as redes wireless oferecem: mobilidade, rápida e simples instalação, redução de custo e escala para grandes, médias e pequenas empresas. Fatores críticos na escolha incluem: imunidade a interferências, segurança dos dados, conectividade com a rede local existente, mobilidade/compatibilidade, performance, gerenciamento e facilidade de instalação.

Saúde Hospitais e clínicas Profissionais de saúde acessam prontuários e equipamentos em movimento pelo hospital
Educação Universidades e escolas Conectividade em campus, laboratórios, salas de aula e áreas externas
Logística Fábricas e armazéns Controle de estoque, códigos de barras e automatização industrial sem fios
Comércio Lojas, bancos, seguradoras PDVs móveis, atendimento personalizado e integração de sistemas em tempo real

📡 Tipos de Redes sem Fio

Existem basicamente três tecnologias para redes sem fio, cada uma com características distintas de alcance, velocidade e aplicação.

Infravermelho (IR)

As redes wireless em infravermelho não exigem licença para operação e possuem cobertura mundial. São equipamentos de baixo custo que utilizam a mesma tecnologia dos controles remotos. O infravermelho pode ser em visada (feixe estreito, 5–30 m, até 15 participantes) ou difuso (feixe amplo, sem necessidade de visada direta). Opera acima das micro-ondas e abaixo da luz visível; transmissões padronizadas pela IrDA. É solução tipicamente indoor — não atravessa paredes.

Infravermelho: modo visada vs. difuso
Em Visada (5–30 m) Disp. A Disp. B linha de visada requer visada direta entre os pontos Difuso (sem visada) Fonte Recep. Recep. sinal refletido no teto/paredes

Radiofrequência (Micro-Ondas)

Os sistemas baseados em RF utilizam micro-ondas transmitidas pelo ar nas faixas ISM (Industrial, Scientific and Medical): 900 MHz, 2,4 GHz e 5 GHz — abertas e sem exigência de licença. É a tecnologia base do Wi-Fi (IEEE 802.11). A vantagem do RF é que penetra paredes e obstáculos. O alcance indoor varia de 35 a 100 metros.

Fatores que afetam a propagação do sinal RF:

Frequência Características de propagação Quanto maior a frequência, maior o consumo de energia e menor o alcance. 2,4 GHz oferece boa propagação geral
Potência Limitada por regulamentação Maior potência aumenta o alcance, mas é limitada pela ANATEL. Maior potência também consome mais bateria
Antenas Tipo e orientação Mau posicionamento ou uso de antena errada é causa comum de problemas de cobertura em redes Wi-Fi
Construção Material da edificação Excesso de ferro, aço e concreto afeta diretamente a propagação, podendo exigir mais APs
Multipath Sinais refletidos O sinal pode tomar vários caminhos (reflexões em paredes/móveis). Sinais refletidos chegam atrasados e causam interferência com o sinal direto

Sistemas Baseados em Laser

Utilizam luz para transmissão digital. Não exigem outorga ou autorização. Trabalham com alta largura de banda — até 2,5 Gbps — e alcance médio de 10 km. Sempre ponto a ponto. Exige visada direta entre os dois pontos. É afetado por condições atmosféricas (neblina, chuva, neve). Uma das maiores vantagens é a segurança: o sinal de laser é praticamente impossível de interceptar. Ainda de custo elevado e pouco adotado no Brasil.

⚠️ Resumo: Infravermelho — indoor, curto alcance, sem interferência de RF. Radiofrequência — penetra paredes, flexível, é o padrão dominante (Wi-Fi). Laser — longo alcance ponto a ponto, alta segurança, alto custo.

📡 O que é Wi-Fi e como Funciona o Acesso ao Meio

Wi-Fi é o nome comercial da Wi-Fi Alliance para tecnologias de rede local sem fio baseadas no padrão IEEE 802.11. O primeiro padrão foi publicado em 1997; desde então, várias revisões ampliaram velocidade, alcance e eficiência.

Como o ar é um meio compartilhado — todos os dispositivos próximos usam o mesmo espaço de rádio — o Wi-Fi utiliza CSMA/CA (Carrier Sense Multiple Access with Collision Avoidance), diferente do CSMA/CD do Ethernet cabeado. Em vez de detectar colisões (impossível no rádio), o Wi-Fi tenta evitá-las.

CSMA/CA — fluxo de acesso ao meio sem fio
DISP A DISP B CANAL OCUPADO DIFS BACKOFF A BACKOFF B (maior) TRANSMITE A ▶▶▶ ACK ✓ B aguarda... TRANSMITE B ① Escuta canal ② Backoff aleatório ③ ACK confirma
CSMA/CD Ethernet cabeado Detecta colisões após acontecerem. Possível apenas em meio guiado onde o sinal vai e volta
CSMA/CA Wi-Fi (802.11) Evita colisões com backoff aleatório e ACKs. Necessário porque no rádio não é possível detectar colisão enquanto transmite

📶 Frequências e Canais

O Wi-Fi opera em faixas de frequência de rádio regulamentadas. Cada faixa tem características distintas de alcance, velocidade e susceptibilidade a interferências.

Banda de 2,4 GHz

A banda de 2,4 GHz divide-se em 13 canais no Brasil (11 nos EUA), cada um com 22 MHz de largura, mas espaçados apenas 5 MHz entre si. Isso cria sobrepostos severos: apenas os canais 1, 6 e 11 são não sobrepostos e podem coexistir sem interferência mútua.

Canais 2,4 GHz — sobreposição espectral
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Canal 1 Canal 6 Canal 11 sobreposição ✓ Apenas 1, 6 e 11 não se sobrepõem

Banda de 5 GHz

A banda de 5 GHz oferece muito mais canais não sobrepostos (até 24 canais de 20 MHz no Brasil), largura de banda maior e muito menos interferência. A contrapartida: o sinal atenua mais rapidamente com a distância e penetra menos paredes e obstáculos.

Banda de 6 GHz (Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7)

Introduzida pelo Wi-Fi 6E (802.11ax extendido), a banda de 6 GHz oferece 1200 MHz de espectro completamente novo, com até 59 canais de 20 MHz. Praticamente sem interferência, pois o espectro ainda é pouco utilizado. Alcance ainda menor que 5 GHz; ideal para ambientes densos de curta distância.

2,4 GHz Maior alcance Penetra melhor paredes. Apenas 3 canais úteis. Alta interferência em ambientes urbanos
5 GHz Mais canais, mais velocidade Menos congestionado, mais rápido. Menor alcance e penetração em obstáculos
6 GHz Alta capacidade Espectro limpo, canais largos de 80/160 MHz. Alcance curto, equipamentos mais novos e caros

📊 Evolução dos Padrões IEEE 802.11

Padrão Nome Wi-Fi Ano Frequência Veloc. máx. teórica Tecnologia chave
802.11b 1999 2,4 GHz 11 Mbps DSSS; primeiro padrão popular
802.11a 1999 5 GHz 54 Mbps OFDM; incompatível com 802.11b
802.11g 2003 2,4 GHz 54 Mbps OFDM em 2,4 GHz; compatível com 11b
802.11n Wi-Fi 4 2009 2,4 e 5 GHz 600 Mbps MIMO (múltiplas antenas), canal de 40 MHz
802.11ac Wi-Fi 5 2013 5 GHz 3,5 Gbps MU-MIMO, canal até 160 MHz, 256-QAM
802.11ax Wi-Fi 6/6E 2019/2021 2,4 / 5 / 6 GHz 9,6 Gbps OFDMA, BSS Color, TWT — foco em ambientes densos
802.11be Wi-Fi 7 2024 2,4 / 5 / 6 GHz 46 Gbps Multi-Link Operation (MLO), canal de 320 MHz

⚠️ Velocidades teóricas vs. reais: as velocidades acima são valores de pico em condições ideais. Na prática, espere 40–60% do valor máximo, considerando distância, obstáculos, interferência, número de clientes e sobrecarga dos protocolos.

Wi-Fi 6 e ambientes densos: o grande avanço do 802.11ax não é a velocidade máxima, mas a eficiência em ambientes com muitos clientes simultâneos. O OFDMA divide o canal em subportadoras atribuídas a diferentes dispositivos ao mesmo tempo — como lanes numa pista de corrida.

Velocidade máxima teórica por padrão IEEE 802.11
802.11b (1999)11 Mbps
802.11a / 802.11g (1999/2003)54 Mbps
802.11n — Wi-Fi 4 (2009)600 Mbps
802.11ac — Wi-Fi 5 (2013)3,5 Gbps
802.11ax — Wi-Fi 6/6E (2019)9,6 Gbps
802.11be — Wi-Fi 7 (2024)46 Gbps

📡 Métodos de Acesso: Spread Spectrum

As redes wireless LAN utilizam o Spread Spectrum (SS) como tecnologia de acesso ao meio. A técnica de espalhamento espectral garante segurança na comunicação, trabalhando com baixa relação sinal/ruído e com uma banda maior que a necessária para o sinal original. O Spread Spectrum possui dois modos de operação:

FHSS Frequency Hopping Spread Spectrum Usa múltiplas frequências de forma pseudoaleatória, dificultando a sintonização do sinal. Transmissor e receptor seguem a mesma sequência de saltos. Para um receptor não intencional, aparece como ruído de pulso. IEEE 802.11 FHSS: 2 Mbps
DSSS Direct Sequence Spread Spectrum Gera 1 bit redundante (chip) para cada bit transmitido. Técnicas estatísticas recuperam dados corrompidos sem retransmissão. Para receptores não intencionais: aparece como ruído de baixa potência. Mais eficiente que FHSS. 802.11 DSSS: 2 Mbps | 802.11b: 11 Mbps
FHSS — saltos de frequência pseudoaleatórios no tempo
Tempo → Freq → f1 f2 f3 f4 f5 t1 t2 t3 t4 t5 t6

Alcance e Performance

A distância com que as ondas RF se comunicam está relacionada à potência, sensibilidade do receptor e o caminho por onde a onda se propaga (indoor: 35–100 m, ampliável via roaming). Os sistemas wireless LAN trabalham com o conceito de fall back: quando o sinal fica fraco, a placa reduz automaticamente a velocidade para manter a conexão.

Fall Back Adaptação de velocidade Sinal fraco → a placa reduz para a próxima taxa (ex: 11 → 5,5 → 2 → 1 Mbps). Quando o sinal melhora, a velocidade é restaurada automaticamente
Performance real Banda compartilhada O ar age como um hub: a banda é dividida entre todos os usuários da célula. Ex: rede 802.11b (11 Mbps) com 14 estações → apenas 4–6 Mbps efetivos devido aos overheads e colisões
Reaproveitamento Canais em redes com vários APs APs vizinhos devem trabalhar em canais distintos (1, 6 e 11) para evitar sobrecarga. Esses canais não se sobrepõem (sem overlay), permitindo reutilizar o espectro com múltiplos APs no mesmo ambiente

🗺️ Modos de Operação

Modo Infraestrutura (BSS e ESS)

É o modo mais comum: os dispositivos se conectam a um Access Point (AP), que faz a ponte entre a rede sem fio e a rede cabeada.

Topologia — BSS (uma célula) e ESS (roaming entre APs)
BSS — Basic Service Set AP PC Tablet Celular SSID: "MinhaRede" ESS — Extended Service Set AP-1 ch:1 AP-2 ch:6 LAN ROAMING SSID: "Escola" (mesmo nome) cliente troca AP sem perder sessão
SSID Nome da rede Service Set Identifier — o nome que aparece na lista de redes Wi-Fi (até 32 caracteres)
BSSID MAC do AP Basic Service Set Identifier — o endereço MAC do access point. Identifica univocamente cada AP
Roaming Troca de AP Cliente se move e associa ao AP com sinal mais forte, mantendo a sessão de rede ativa
Canal APs vizinhos: canais diferentes APs próximos devem usar canais não sobrepostos (1, 6, 11 em 2,4 GHz) para não interferir

Modo Ad-hoc (IBSS)

Dispositivos se comunicam diretamente entre si, sem AP. Cada par é um IBSS (Independent Basic Service Set). É usado em transferências ponto a ponto, mas raro em redes modernas (substituído por Wi-Fi Direct e Bluetooth).

Monitor e Mesh

O modo monitor captura todos os quadros 802.11 do ar, sem associar-se a nenhuma rede — usado por ferramentas de análise (Wireshark, Aircrack-ng). O modo mesh (802.11s) conecta APs entre si pelo rádio, criando redes de malha sem cabos de backbone.

🛠️ Elementos da Solução Wireless LAN

Os elementos da solução de uma rede wireless LAN incluem os adaptadores dos dispositivos, os pontos de acesso e as antenas que irradiam o sinal.

Placas Wireless Adaptadores das estações Disponíveis em barramentos PCI (desktops), PCMCIA (notebooks antigos) e USB (universal). Modernamente integradas na placa-mãe ou via chipset
Access Point (AP) Ponto de acesso central Estação que gerencia conexões entre usuários e a rede. Funciona como ponte entre a rede sem fio e a cabeada. Cada AP atende vários usuários simultaneamente; cobertura: ~100 m de raio
Antenas Direcionais Yagi, Grade, Semiparabólica Concentram e irradiam o sinal em uma única posição. Ideais para enlaces ponto a ponto de longa distância. Maior ganho, menor ângulo de abertura
Antenas Omnidirecionais Cobertura 360° Propagam o sinal ao longo do eixo em todas as direções horizontais. Usadas em APs para cobertura ampla. Exemplos: antenas dipolares e patch omnidirecional
Controladora Wi-Fi Gerência centralizada Em redes com muitos APs, a controladora (física ou em nuvem) gerencia automaticamente canais, potência de transmissão, roaming e políticas de acesso

Topologias: A topologia estruturada (BSS) organiza estações em células controladas por um AP — limites definidos pelo alcance do AP; o AP aloca recursos e gerencia energia. Vários APs com o mesmo SSID formam um ESS, habilitando roaming. Na topologia Ad-hoc (IBSS), dispositivos se comunicam diretamente sem AP, sem topologia predefinida e sem ponto central de controle — raro em redes modernas, substituído por Wi-Fi Direct e Bluetooth.

🔒 Segurança Wi-Fi

Como o sinal de rádio se propaga pelo ar em todas as direções, qualquer pessoa nas proximidades pode capturar os quadros Wi-Fi. A criptografia é essencial.

Protocolo Ano Criptografia Status Problema principal
WEP 1997 RC4 (40/104 bits) Quebrado IV de 24 bits reutilizado; quebrado em minutos com Aircrack-ng
WPA 2003 TKIP (RC4 melhorado) Obsoleto TKIP vulnerável; criado como patch de emergência para hardware WEP
WPA2 2004 AES-CCMP (128 bits) Padrão atual KRACK (2017) em implementações específicas; sensível a senhas fracas
WPA3 2018 AES-GCMP (192 bits) + SAE Recomendado Equipamentos ainda em adoção; retrocompatível com WPA2 no modo de transição

WPA2/WPA3 — Personal vs. Enterprise

Personal (PSK) Uma senha para todos Pre-Shared Key: todos usam a mesma senha. Fácil de configurar; se a senha vaza, toda a rede fica exposta. Ideal para doméstico e pequenas empresas
Enterprise (802.1X) Cada usuário tem credenciais únicas Autenticação via servidor RADIUS (EAP). Cada usuário tem login e senha próprios. Se um vaza, só aquele acesso é afetado. Obrigatório em ambientes corporativos
Boas práticas de segurança Wi-Fi — checklist visual
FAZER ✓ EVITAR ✗ WPA3 (mín. WPA2-AES) Senha 12+ chars complexa SSID personalizado VLAN p/ IoT e visitantes Firmware atualizado RADIUS p/ corporativo WEP ou WPA-TKIP Senha "12345678" SSID "TP-Link_XXXX" WPS ativado Caixa e IoT na mesma rede Ignorar dispositivos novos

Principais Ataques a Redes sem Fio

Uma rede wireless aberta é vulnerável a uma série de ataques. Entre os principais:

Sniffing Escuta passiva Um usuário captura o tráfego que passa pela rede wireless. Possível porque o sinal de rádio é broadcast — qualquer dispositivo próximo pode receber os quadros
DoS Negação de serviço O atacante gera interferências nas frequências da rede para derrubar o serviço. Não exige associação à rede — basta transmitir ruído na mesma faixa
Rogue AP Ponto de acesso falso O hacker instala um AP falso com o mesmo SSID da rede legítima. O usuário conecta-se ao AP falso sem saber, expondo suas credenciais e dados (ataque evil twin)
Wardriving Varredura de redes abertas Técnica de dirigir ou andar pela cidade identificando redes sem fio vulneráveis. A instalação padrão já permite acesso; redes abertas ficam expostas. Ataques relatados a até 8 km de distância com antenas direcionais

⚠️ Mitigação: IEEE 802.11i (WPA2/WPA3) + VPN (IPSec quando possível) + AP conectado ao firewall para monitorar tráfego suspeito + WPS desativado + firmware atualizado.

📍 Planejamento de Cobertura Wi-Fi

Projetar uma rede Wi-Fi vai além de instalar um AP e ligar. É preciso garantir cobertura, capacidade e qualidade de sinal em todos os pontos de uso.

Fatores que Atenuam o Sinal

Atenuação de sinal por obstáculo — 2,4 GHz vs 5 GHz
Obstáculo 2,4 GHz 5 GHz Espaço aberto ~0 dB ~0 dB Parede drywall 3–5 dB 5–8 dB Parede de tijolo 8–15 dB 15–30 Parede de concreto 15–20 dB 40 Laje de concreto 20–30 dB 50 Vidro comum 2–3 dB 3–5 dB Porta de aço 15–25 dB 40 2,4 GHz (maior alcance) 5 GHz (mais atenuação) Alta perda (>30 dB)

Sobreposição de Células e Roaming

Em ambientes com múltiplos APs (ESS), é preciso planejar a sobreposicão de células: APs adjacentes devem cobrir entre 15% a 20% das áreas uns dos outros para permitir roaming suave. Sobreposicão excessiva gera interferência co-canal se estiverem no mesmo canal.

Site Survey Medição de campo Antes de instalar, medir o sinal no ambiente com ferramentas como Ekahau, NetSpot ou aplicativos de celular
RSSI Força do sinal Received Signal Strength Indicator em dBm. Ideal: acima de −65 dBm. Abaixo de −80 dBm: inutilizável
Interferência co-canal Mesmo canal, APs próximos APs próximos no mesmo canal competem pelo mesmo meio, degradando a performance de todos
Controladora Wi-Fi Gerência centralizada Em redes com muitos APs, uma controladora (física ou em nuvem) gerencia canais, potência e roaming automaticamente

Regra prática: use 2,4 GHz para dispositivos IoT e de longa distância; 5 GHz para laptops, smartphones e streaming de vídeo; 6 GHz (Wi-Fi 6E+) para ambientes de alta densidade como auditórios e escolas com muitos dispositivos simultâneos.

❓ Verifique seu Conhecimento

Na banda de 2,4 GHz, quais são os únicos três canais que não se sobrepõem e podem coexistir sem causar interferência entre si?

ACanais 1, 5 e 9
BCanais 1, 6 e 11
CCanais 2, 7 e 12
DCanais 3, 6 e 9
✓ Os canais 1, 6 e 11 estão espaçados 25 MHz entre si — suficiente para que as bandas de 22 MHz de cada canal não se sobreponham. Qualquer outra combinação gera sobreposicão espectral e interferência co-canal, degradando a performance de todos os APs próximos.

Qual é o principal motivo pelo qual o WEP não deve ser usado em nenhuma circunstância hoje?

AO WEP não cifra os dados, apenas comprime o tráfego
BO WEP é compatível apenas com dispositivos fabricados antes de 2000
CO vetor de inicialização (IV) de 24 bits é muito curto e se repete, permitindo quebrar a chave em minutos com ferramentas acessíveis
DO WEP usa criptografia assímétrica que é lenta demais para redes modernas
✓ O WEP usa o algoritmo RC4 com um IV de apenas 24 bits. Em redes movimentadas, o IV se repete rapidamente (colisão de IV), e ferramentas como Aircrack-ng exploram essa fraqueza para recuperar a chave RC4 em menos de um minuto capturando alguns milhares de pacotes.

Uma empresa quer que cada funcionário acesse o Wi-Fi com seu próprio usuário e senha corporativos, sem compartilhar uma senha única. Qual configuração Wi-Fi atende esse requisito?

AWPA2-Personal com senha complexa de 20 caracteres
BWEP com filtro de endereços MAC
CWPA3-Personal com SAE (Simultaneous Authentication of Equals)
DWPA2/WPA3-Enterprise com autenticação 802.1X via servidor RADIUS
✓ O modo Enterprise (802.1X) com servidor RADIUS é o único que permite credenciais individuais por usuário, integração com Active Directory e revogação de acesso sem mudar a senha de toda a rede. WPA2/WPA3-Personal usa uma única Pre-Shared Key para todos.

O padrão IEEE 802.11ax (Wi-Fi 6) introduziu o OFDMA. Qual é o principal benefício dessa tecnologia?

APermite que o AP transmita para vários clientes simultaneamente dividindo o canal em subportadoras, aumentando a eficiência em ambientes com muitos dispositivos
BDobra automaticamente a velocidade de conexão em qualquer ambiente
CElimina completamente a necessidade de CSMA/CA
DAumenta o alcance do sinal Wi-Fi em ambientes externos
✓ OFDMA (Orthogonal Frequency Division Multiple Access) divide o canal em subportadoras (Resource Units) que podem ser atribuídas a diferentes clientes ao mesmo tempo, tanto no downlink quanto no uplink. É especialmente eficiente em ambientes densos (escolas, shoppings, estádios) onde muitos dispositivos concorrem pelo mesmo AP.

📝 Atividade Prática

Configurar uma rede sem fio com dois Access Points e múltiplos clientes no Cisco Packet Tracer, incluindo uma ponte sem fio entre os APs.

Topologia — Access Point 4 (central) · Access Point 5 (remoto via ponte) · Laptop1 · Laptop0 · Smartphone0 · PC3
Access Point 4 Access Point 5 ponte sem fio Laptop1 192.168.1.11 Laptop0 192.168.1.10 Smartphone0 192.168.1.30 PC3 192.168.1.20 conexão sem fio ponte sem fio (bridge) cabo Ethernet
DispositivoTipo de conexãoEndereço IPMáscaraSSID / Interface
Access Point 4AP central192.168.1.1255.255.255.0RedeWiFi
Access Point 5AP remoto (bridge)192.168.1.2255.255.255.0RedeWiFi
Laptop0Sem fio → AP4192.168.1.10255.255.255.0RedeWiFi
Laptop1Sem fio → AP4192.168.1.11255.255.255.0RedeWiFi
Smartphone0Sem fio → AP4192.168.1.30255.255.255.0RedeWiFi
PC3Cabo → AP5192.168.1.20255.255.255.0FastEthernet
1
Montar a topologia no Packet Tracer
Objetivo: Adicionar todos os dispositivos ao espaço de trabalho.

  1. Abra o Cisco Packet Tracer e crie um novo projeto.
  2. Em Wireless Devices, adicione dois AccessPoint-PT: nomeie o primeiro Access Point 4 (centro) e o segundo Access Point 5 (à direita).
  3. Em End Devices, adicione: Laptop-PT × 2 (Laptop0 e Laptop1), Smartphone-PT × 1 (Smartphone0) e PC-PT × 1 (PC3).
  4. Conecte o PC3 ao AP5 com cabo Copper Straight-Through.
Verifique: AP4 no centro, AP5 à direita, clientes distribuídos ao redor do AP4.
2
Configurar o Access Point 4 (AP central)
Objetivo: Definir SSID e endereço IP do AP4.

  1. Clique no Access Point 4 → aba Config.
  2. Em Port 1 (Wireless): SSID = RedeWiFi · Channel = 6 · Authentication = Disabled.
  3. Em Global Settings: IP = 192.168.1.1 · Mask = 255.255.255.0.
Resultado: AP4 pronto para receber clientes sem fio com SSID RedeWiFi.
3
Configurar o Access Point 5 e criar a ponte sem fio
Objetivo: Ligar AP5 ao AP4 via ponte sem fio (wireless bridge).

  1. Clique no Access Point 5 → aba Config.
  2. Em Port 1 (Wireless): SSID = RedeWiFi · Channel = 6 · Authentication = Disabled.
  3. Em Global Settings: IP = 192.168.1.2 · Mask = 255.255.255.0.
  4. Use Connections → Automatically Choose Connection Type, clique em AP4 e depois em AP5 para criar o enlace sem fio (linha pontilhada entre eles).
Resultado: linha pontilhada aparece entre AP4 e AP5.
4
Conectar Laptop0, Laptop1 e Smartphone0 ao AP4
Objetivo: Associar os clientes móveis ao AP4 (repita para cada dispositivo).

  1. Clique no dispositivo → ConfigWireless0: SSID = RedeWiFi · Authentication = Disabled.
  2. Em IP Configuration: Laptop0 = 192.168.1.10 · Laptop1 = 192.168.1.11 · Smartphone0 = 192.168.1.30 · Mask = 255.255.255.0.
Verifique: linhas pontilhadas aparecem ligando cada dispositivo ao AP4.
5
Configurar o PC3 (cabo → AP5)
Objetivo: Colocar o PC3 na mesma rede pelo AP5.

  1. Clique no PC3ConfigFastEthernet0.
  2. IP = 192.168.1.20 · Mask = 255.255.255.0.
Resultado: PC3 na rede 192.168.1.0/24, acessível através da ponte AP4–AP5.
6
Testar conectividade de ponta a ponta
Objetivo: Confirmar que toda a rede se comunica.

  1. No Laptop0 (Command Prompt):
    ping 192.168.1.11 → Laptop1  |  ping 192.168.1.30 → Smartphone0  |  ping 192.168.1.20 → PC3 (via ponte)
  2. No PC3: ping 192.168.1.10 → deve responder (Laptop0).
  3. Ative o modo Simulation, filtre por ICMP e observe o caminho: Laptop0 → AP4 → AP5 → PC3.
Perguntas:
  • O ping do Laptop0 para o PC3 teve sucesso? Quantos saltos aparecem na simulação?
  • O que acontece se você desconectar o cabo entre PC3 e AP5?
  • Por que o AP5 não aparece como um salto separado no ping?
📌 Para refletir: nessa topologia, o AP5 age como uma ponte sem fio — estende o alcance da rede sem criar uma nova sub-rede. O PC3, mesmo conectado por cabo ao AP5, enxerga todos os dispositivos sem fio do AP4 como se estivessem na mesma LAN. Essa é a base de redes Wi-Fi em ambientes que precisam cobrir distâncias maiores sem cabeamento entre os pontos.